quinta-feira, 23 de maio de 2013



Por Giselle Zamboni

MOSTRA #TUITERATURA NO PORTAL SESC SÃO PAULO - NA EONLINE

Todos os links ali, dos 81 autores expostos (os tuiteiros estão identificados e têm suas @s levando os mais de 180 mil assinantes da revista, e todo o público interessado, diretamente às suas timelines do twitter e podendo seguir sua produção literária) e a hashtag #tuiteratura, esta em absoluto destaque, viva, rodando em tempo real no Portal tudo o que é postado por todos nós na tag)

Que bacana, que bonito tudo isso, só temos a agradecer.

CURTAM, ESPALHEM, PARTICIPEM, A MOSTRA #TUITERATURA É TUA, É NOSSA, É DE TODOS NÓS!

INTERATIVA, VIVA, PULSANTE, INCLUSIVA.

Faça uma Mostra nova por dia, publique suas criações tuiterárias com a tag #tuiteratura e construa um dos momentos da Mostra, fazendo parte conosco desta festa em celebração à literatura enxuta, à literatura em 140 caracteres, que encontra na plataforma Twitter sua forma mais popularizada de expressão e divulgação.

VIVA A #TUITERATURA EM LÍNGUA PORTUGUESA!

2013 - ANO DA #TUITERATURA NO BRASIL

Mostra #Tuiteratura - SESC Santo Amaro - de 26/05 a 04/08 - Acompanhem a programação paralela da Mostra no folder incluso no Portal, por aqui na página da Mostra #tuiteratura, no Twitter na hashtag #Tuiteratura. 

Clique no link abaixo, que vai ao portal do SESC e permite acessar os perfis de cada autor no twitter => a minha tag é anacris_ma , a quarta da lista 61 autores que produzem #Tuiteratura! 
http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/subindex.cfm?Paramend=1&IDCategoria=8045#tuiteiros

... e também participar com sua criação, em até 140 caracteres, clicando neste link da página: Clique aqui e participe com a sua criação literária.  

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sinestesia

Rue de Lappe, Paris, Outubro de 2012

Fotografar não é uma grande paixão minha. Congelar, mostrar, guardar imagens. Não fotografo bem.
Tenho que limitar meus outros sentidos para focar na visão. Não que minha memória seja fotográfica. Não é. Depois sempre peno para lembrar fatos, descrever situações, lugares. Mas... para quê mesmo?

Minha memória é toda sentidos, sensações, sentimentos. Guardo o que senti. Na pele, nos olhos, no coração, nas mãos, na alma. Guardo cheiros, paladares, frios, calores, sons, vozes, calafrios. Guardo arrepios. Meus outros sentidos me roubam o olhar. Nunca consigo descrever. Não consigo lembrar por onde passei, como fui, como cheguei, que direção tomei...

Meus sentidos estão todos aguçados. Lembro se chovia, se fazia frio, se tinha raios de sol. Lembro se o sol batia no meu rosto... e no seu. Se as pessoas andavam encolhidas ou abertas, se sorriam ou estavam cinza. Não esqueço um sorriso largo, um semblante triste, uma criança brincando e suas risadas. Barulho de carros me dispersa, conversas paralelas me confundem. Levo meus sentidos todos aguçados. Folhas caindo de árvores me chamam, pedras na praia me distraem, horizontes levam meu pensamento para passear. 

As imagens esculpidas nas fachadas antigas me remetem às suas histórias. Rostos têm sentires fartos. Não me interessa como foi feito, de que material, qual técnica, quem esculpiu... ou quando. Quero o que representa. Se não sei, imagino. Me serve. Me basta. Crio na mente os porquês de seus semblantes graves, assustados, vazios, vazados. Não ando pelas cidades a decorar caminhos. Se um dia voltar, os descubro de novo. É meu encanto: sentir de novo o espanto da descoberta. 

Ando pelas cidades para sentir seus ares. Sentir e reviver sua história. Nunca sei por onde passei. Não sei contar o que vi. Só conto o que senti. Não me peça mais que isso. 

Só (me) reconheço nos sentidos. Por favor, não alimente ruídos.

AnaCris Martins

O ponto de demência de alguém é a fonte de seu charme. Deleuze


Sim, talvez seja isso: os que têm alguma "demência" não desmoronam. 
São os que conseguem ser humanos, não se prendem nem se impõem a si a obrigação absurda e impossível de serem divinos, de nunca errarem. Não se obrigam a se sacrificarem pelo que os 'outros' querem ou esperam de si. São e deixam ser. Perdem o controle, porque é do ser humano - e animal? - nunca tê-lo de fato. Quem tenta a todo custo nunca errar, já se matou faz tempo. Só está esperando a hora de se enterrar. Mas, para quê? Talvez para se dar a glória de cometer o seu último maior e memorável erro. 

Pequena parte do abecedário do Deleuze

"O verdadeiro charme das pessoas reside em quando elas perdem as estribeiras, quando não sabem muito bem em que ponto estão. Não são pessoas que desmoronam, pelo contrário, nunca desmoronam. Mas se não captar a pequena marca de loucura de alguém não pode gostar deste alguém. Não pode gostar dele. É exatamente este lado que interessa. E todos nós somos meio dementes. Se não captar o ponto de demência da pessoa, eu temo que... aliás, fico feliz em constatar que o ponto de demência de alguém seja a fonte de seu charme.” Deleuze

sexta-feira, 19 de abril de 2013

MOSTRA TUITERATURA no SESC Santo Amaro



Emocionada aqui com a divulgação do projeto da querida, necessária e visionária pessoa das artes, Giselle Zamboni!! A alegria de um sonho realizado, fazendo história - porque será a primeira mostra de TUITERATURA do mundo! - e eu honrada e grata por ter sido convidada a fazer parte.

Vamos divulgar, prestigiar e nos deliciar interagindo com a literatura enxuta produzida no twitter, através do belo trabalho criado pela Giselle para nos encantar!

Obrigada, Gi!

SESC Santo Amaro  
 
26/05 a 04/08. 
De terça à sexta, das 10h às 21h30. Sábados, Domingos e Feriados, das 10h às 18h30.
Livre para todos os públicos
Grátis 


"Ancorada nos conceitos de cibercultura, interatividade e experiências sensoriais, a Mostra, que traduz o espírito colaborativo das redes sociais, propõe o contato do público com a TUITERATURA, neologismo aportuguesado para este movimento que faz uso do Twitter como plataforma de um fazer literário enxuto, condensado em 140 caracteres. Com curadoria da agitadora cultural e tuiteira Giselle Zamboni, a exposição aborda um movimento que nasce em rede, caracterizado pelo compartilhamento de afinidades literárias, numa troca constante em que sobressai o prazer de ler e escrever. Serão expostas criações autorais de escritores consagrados e novos talentos da literatura contemporânea, através de uma instalação com arquitetura cenográfica, tecnologia e programação próprias para responderem, numa grande tela, à presença física dos visitantes. Marcada por aspectos inclusivos e de acessibilidade, com soluções cenográficas em braille e sonoras, a Mostra convida à interação todos aqueles que quiserem participar também como autores. Para isso, basta enviar sua criação literária, em até 140 caracteres, através do Twitter, marcando cada post com #tuiteratura, a hashtag da Mostra. Assim, uma nova exposição se construirá a cada dia, com a seleção de novos tuites literários produzidos em rede e em tempo real. Estão todos convidados a buscar e fruir do ideal poético da imagem que comove, faz suspirar ou rir, suspendendo o tempo, para além do tom confessional das redes sociais, indo da escritura na tela do computador às possibilidades de imaginação presentes em uma exposição."

cliquem no link abaixo para ver mais detalhes na programação no SESC Santo Amaro.
http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=246996

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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Eu velejava em você - Maria Bethânia




Eu velejava em você
(Eduardo Dussek / Luiz Carlos Góes)

Eu velejava em você
Não finja!
Como coisa que não me vê
E foge de mim...
A boca tremia,
Os olhos ardiam
Oh! Doce agonia
Oh! Dor de viver
De ver sua imagem
Que eu nunca via
Sua boca molhada
Seu olhar assanhado
Convite pra se perder
Minha alma cansada
Não faz cerimônia
Você pode entrar sem bater
Pois eu já velejei em você
E foi bom de doer
Mas foi, como sempre, um sonho
Tão longe, risonho
Sinto falta,
Queria lhe ver...

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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Direções (ou sentidos?)




Não tenho direção. Direção delimita e delimitar-me não me cabe. Não me permito. Se pudesse, criaria outra forma de localizar o tempo e o espaço. Não. Eliminaria o tempo e o espaço. Acho. Escorro, desvio, traço. Meu tempo é não sei. Não me encaixo onde não sinto. Se amo: é muito, é agora, é lugar. Se nada: é longe, é depois, é ar. Infinitudes.

- Sente o vento que vem dali? Ouviu as risadas? Sentiu esse cheiro? Delícia né?
- Dali de onde? Da esquerda? Do norte?
- Não sei. Dali ó (aponto com o dedo e meu corpo acompanha), que importa?
- risadas de quem?
- não sei. Mas são de crianças. E estão felizes. Sente?
- e esse cheiro de onde vem?
- também não sei. Mas é bom, não é?
Não me venha com direções. Dali vem um cheiro de grama, de mato. De lá, vem cheiro de ervas. Dali, daquele outro lado, de goiaba. De flor, de vento, de mar. De nada.

Se um dia partires, eu sempre te reconhecerei. Não importa por onde eu tenha andado contigo. Isso é o que ficará comigo: tuas palavras, teus olhares, teus gestos, as marcas deixadas no meu corpo, na minha história, na alma. Se me tocaste com gentileza ou me atiraste pedras. Se me quiseste febril e com vontade. Ou apenas pra levantar-te o moral.

Sou mutante espelho. As pessoas se afloram em mim, como são. E por isso – bem por isso - meu caminho nunca é reto. Só tenho desvios. Caminho só por onde tenho a poesia. Caminho só, por onde a poesia me traça. Caminho só por onde a poesia me traça desvios. Caminho por onde a poesia me traça. Só, tenho desvios.

AnaCris Martins

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quarta-feira, 27 de março de 2013

Eu Quero Ser Possuída Por Você - Seu Jeito De Amar - Maria Bethânia



Um texto maravilhoso, uma canção deliciosa... e Maria Bethania: perfeito! 

Eu quero ser possuída por você

(José Vicente)

Eu quero ser possuída por você, pelo seu corpo,
pela sua proteção, pelo seu sangue.
Me ama!
Eu quero que você me ame e fique eternamente me amando dentro de mim.
Com sua carne e o seu amor.
Eternamente, infinitamente dentro de mim
me envolvendo, me decifrando, me consumindo, me revelando...
Como uma tarde dentro do elevador, no verão, voltando da praia
e você me abraçou e eu te abracei...
E quanto mais eu me entregava, mais nascia o meu desejo,
Mais sobrava só o desejo,
e mais eu te queria sem palavras, sem pensamentos...
A vida inteira resumida só no desejo
da tua boca dizendo o meu nome,
Da tua mão conduzindo a minha mão,
Do teu corpo revelando o meu corpo,
Como se o mundo fosse pela primeira vez,
Você o meu ponto de referência nessa cidade...


Seu jeito de amar 

(Gilson/ Joram)

Não domino mais o meu coração
Já não sou mais o dono de mim.
Perto de você tenho a sensação
que estou preso e não quero fugir
Não posso conter a minha paixão,
quando sinto você me tocar
Não sei controlar minhas emoções
Eu adoro o seu jeito de amar

Eu gosto demais de tudo que você faz
Em tudo eu sou seu fã
Eu gosto do seu jeito de sentir prazer
Eu gosto demais do modo que me seduz
Do jeito que me possui
Por isso é que não posso viver sem você

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segunda-feira, 25 de março de 2013

Toxica_mente



E quando nessas tuas
Vagas e densas cores
Sigo enredada
Te procuro às cegas
E me tragas no teu vernáculo obscuro
doutoral soberba taciturna

me sinto, sim, chicoteada
por teu vento norte
a me querer, insolente e soturno
rajada de dor e corte

mas nestas horas, estupefata
- aparte o labor de ter de curar-me as chagas –
Extremo a minha cara lucidez:

O caminho manco do sofrer
Mais que uma luta incorpórea
É um estado sínico de viver
passando à margem da história
em intermitente embriaguez

AnaCris Martins

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terça-feira, 19 de março de 2013

Enquanto te espero




Enquanto te espero


Quando pousas
teu corpo no meu
E me preenches cada vão
Sou tua
Chega a inspiração
E, sorrateira, me pontua

Mas quando me deixas
Só, com tua ausência
Largada nas mãos
Nem sabes o que me causas
Me roubas a margem
Me deixas só espaço e travessão

Inteira, me pausas
.
.
.
.
.

E pasma de estiagem
Fico ali, no breu
Sem eira nem beira
Sentindo pela casa
Só, o cheiro teu

E então...
Pontuada de saudade
Não tem jeito
A poesia me invade
E me pauta
No meu peito se aninha
em cada linha vazia
traçada pela tua falta

AnaCris Martins

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domingo, 10 de março de 2013

Espelho




Espelho

Cada vez que me olho no espelho, vejo ainda cravadas na minha face, as marcas deixadas na pele das mulheres de minha história. Vejo seus prantos, seus calos, duas dores, suas lutas. Posso ver nas minhas retinas, os caminhos percorridos pelas minhas avós aos prantos, cheias de esperança e espanto. Suas cestas vazias, suas sandálias furadas, seus pés rasgados.
Da minha boca percebo ecoarem ainda as palavras guardadas, jamais ditas por medo. E mais, as proferidas aos prantos e ira em resposta a desaforos, e logo engolidas a seco: por um tapa na cara ou um soco no olho.

Consigo enxergar mais ali, nos cantos da boca e dos olhos, as rugas que não vieram de sorrisos. As marcas profundas do excesso de siso e da falta de risos. E da ausência cortante de abraços e carinhos e flores. Dá para ver as cores que faltaram aos olhos encharcados de pavor e lágrimas. Dá para sentir o cheiro do sangue a escorrer-lhes pelos rostos pálidos e por entre os dedos trêmulos, sob seus olhares incrédulos. E o choro e o grito travados na garganta, quando já mais nada adianta.

Eu sou o que o espelho me desvela a cada olhadela. O que a vida já me segredou muito antes de ser menina assustada e tímida. E o que a morte ainda me permite, até que me torne mulher plena e sem limites. Eu vejo no espelho os desejos vãos de vestidos vermelhos, de amores sãos e de unhas pintadas de todas as Marias, Amélias, Anas, Camélias, Clarissas, Iracemas, Belas, Morenas, Claras que eu, um dia, já fui.

Eu sou aquelas que não puderam ser. As que não ousaram, as que o fizeram e fracassaram. Sou as que lutaram e perderam, e também as que sobreviveram. As que conseguiram e amargaram a solidão, o preconceito ou o desterro. Todas elas ainda estão em mim. Todas as suas chagas ainda doem e sangram em mim. E não há nisso nenhum mistério, destino ou sanha divina. Nisso está a essência da vida a que todos estamos presos: somos continuidade, ainda que transgressores. Ainda quando rompemos, em nós permanecemos.

AnaCris Martins

domingo, 13 de janeiro de 2013

De sol, mar... e pedras




Só queria uma via láctea. E procurava pedras na praia. Muitas achadas, várias jogadas. Brancas, rajadas, coloridas. Planetas, terras, cometas. Sortidas.
Só queria um sol muito lindo. Todo amarelo. Bem redondo. Luz circular a me iluminar lua. 
Mas a natureza não se entrega a quem lhe quer. Não se deixa agarrar assim viva. Nega-se a quem não a deixa sequer ser. É tal a poesia: se esquiva... é mulher.

Caminho na areia entre pedras. Te busco e penso. Medito, procuro, colho tantas pedras. Tantas! Tanto olho no olho. Tanto mar, tantas vidas. Tanto amar... que o mar lapida (as pedras se deixam lapidar). Tantas formas. Nenhuma igual. Muitas tão parecidas. 

E no exato instante, você em mente - sempre errante - logo avistei. Ali estava ela: brilhante ao sol gélido do norte. Não era o sol circular que eu procurava, é bem verdade. Todo irregularidade. Tinha rachaduras. Duras. Dois grandes cortes: um de cada lado (nem pra disfarçar!). Crateras, tantas infelicidades. Estava mais para lua. Era tudo, menos esfera. Altos e baixos, e a cor...
Bem, a cor também não era bem amarela. Grená, talvez? Caramelo, quiçá...
Mas era o meu sol ao contrário. Fechando com chave de ouro o meu planetário. Minha clave, um coro solitário em voz grave. Meu sol! Assim, em si, um si bemol.

AnaCris Martins

sábado, 12 de janeiro de 2013

Trecho de Samba para Don Casmurro, de Michel Melamed


"...
Eu sempre achei que o amor, o grande amor, fosse incondicional. Que quando duas pessoas se encontram, que quando esse grande encontro acontece, você pode trair, brochar, dar todas as porradas, se for um grande o amor, ele voltará triunfal. Sempre. Mas não, nenhum amor é incondicional, então acreditar na incondicionalidade do amor, é decididamente precipitar o fim do amor, porque você acha que esse amor aguenta tudo, então de um jeito ou de outro você acaba fazendo esse amor passar por tudo, e um amor não aguenta tudo, nada nesse vida é assim. E aí você fala que esse amor não tem fim, para que o fim então comece. Um grande amor não é possível, talvez por isso seja grande. Então, assim, nele, obrigatoriamente, pode caber também o impossível. Mas quem acredita? Quem acredita no impossível, que não apaixonadamente? Como a um deus, incondicionalmente.
..."

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Tons de cinza? Tô fora!




Tons de cinza? Tô fora!


Quero só o que for colorido, algo mais perto do arco-íris: sem pré conceitos, com gostosura e leveza. 

Nada berrante, nem aberração. 

Beleza, mas com alma. E um pouco de pimenta. 


Será que tô querendo muito?




segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Sentimental eu fico - Elis Regina


Belíssimas 
Canção (de Renato Teixeira) e Interpretação (como sempre!)


Sentimental eu fico

Renato Teixeira

Sentimental eu fico
Quando pouso na mesa de um bar
Eu sou um lobo cansado carente
De cerveja e velhos amigos
Na costura da minha vida
Mais um ponto
No arremate do sorriso mais um nó
Aqui pra nós cantar não tá pra peixe
Tem coisa transformando a água em pó
E apesar de estar no bar caçando amores
Eu nego tudo e invento explicações
Amigo velho amar não me compete
Eu quero é destilar as emoções
Sentimental eu fico . . .
E os projetos todos tolos combinados
Perecerão nas margens da manhã
Uma tontura solta na cabeça
Um olho em Deus e outro com satã
E quando o sol raiar desentendido
Eu vou ferir a vista no amanhã
E olharei para quem vai pro trabalho
Com os olhos feito os olhos de uma rã.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Jura Secreta



Jura Secreta

(Abel Silva/ Sueli Costa)

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada que eu quero me suprime
De que por não saber 'Inda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar
Que não sofri

Remorso



E a cada passo torto
em que o coração se move
jaz uma vez mais
o amor quase morto
de tentar matar a sede
num único gole

esse sentir imenso
pura fissura e só nosso
leva preso ao peito penso
o peso do amor negado:
um coração carregado
que se tortura em remorso
como a uma cruz pregado

por querer apenas demais
por demais ser amado

AnaCris Martins


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Ana Cristina Cesar - perfeita!


da minha xará, Ana Cristina Cesar... cortante. E perfeita!



Apaixonada,
saquei minha arma,
minha alma, 
minha calma,
só você não sacou nada. 

Ana Cristina Cesar


Imagem (maravilhosa!) e postagem
copiadas' de 
RedEscuta Psicanálise (Facebook)



















segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Logo eu - com Renata Pizzi


Logo eu 

Composição de Sonekka e Zé Edu Camargo


"Falta sal, falta pimenta
falta paixão violenta
falta cheiro, falta cor
falta morrer de amor
...
falta ver você voltar
falta só ver você voltar
Você voltar..."

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Nem um dia - Djavan


"...Não te esquecerei um dia
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você..."


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Futuros Amantes (Chico Buarque)



"Não se afobe não que nada é pra já"



Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você