domingo, 13 de janeiro de 2013

De sol, mar... e pedras




Só queria uma via láctea. E procurava pedras na praia. Muitas achadas, várias jogadas. Brancas, rajadas, coloridas. Planetas, terras, cometas. Sortidas.
Só queria um sol muito lindo. Todo amarelo. Bem redondo. Luz circular a me iluminar lua. 
Mas a natureza não se entrega a quem lhe quer. Não se deixa agarrar assim viva. Nega-se a quem não a deixa sequer ser. É tal a poesia: se esquiva... é mulher.

Caminho na areia entre pedras. Te busco e penso. Medito, procuro, colho tantas pedras. Tantas! Tanto olho no olho. Tanto mar, tantas vidas. Tanto amar... que o mar lapida (as pedras se deixam lapidar). Tantas formas. Nenhuma igual. Muitas tão parecidas. 

E no exato instante, você em mente - sempre errante - logo avistei. Ali estava ela: brilhante ao sol gélido do norte. Não era o sol circular que eu procurava, é bem verdade. Todo irregularidade. Tinha rachaduras. Duras. Dois grandes cortes: um de cada lado (nem pra disfarçar!). Crateras, tantas infelicidades. Estava mais para lua. Era tudo, menos esfera. Altos e baixos, e a cor...
Bem, a cor também não era bem amarela. Grená, talvez? Caramelo, quiçá...
Mas era o meu sol ao contrário. Fechando com chave de ouro o meu planetário. Minha clave, um coro solitário em voz grave. Meu sol! Assim, em si, um si bemol.

AnaCris Martins

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