sábado, 27 de outubro de 2012

Uma tentativa de resumir a minha visão sobre as eleições em Sampa e no Brasil.



Uma tentativa de resumir a minha visão sobre as eleições em Sampa e no Brasil.

A meu ver o Joaquim Barbosa cumpriu o papel dele. E foi coerente no seu voto e na sua declaração, que pelo visto reflete o que boa parte da população paulistana pensa (e talvez o que pensam todos os que mantém o voto no PT, apesar dos pesares). Deixou claro que não recebeu nenhum tipo de pressão do Lula, que o nomeou e,
ao contrário do que muitos dizem (chegam a usar esse fato também contra o PT, numa tergiversação de dar pena), foi quem abriu a possibilidade da PF investigar todos os casos de corrupção que foram investigados até agora e parece não ter mesmo interferido no processo, senão me parece claro que o PT nem estaria sendo julgado, já que 'dão' ao Lula um poder quase sobrenatural.

O fato é que o episódio do Mensalão do PT, a forma como foi feito, a descarada manipulação das informações, entre outras coisas, tinha objetivos claros: 
- colar no PT a etiqueta de corrupto, já que não tem mais o que dizer sobre o partido e o papo de 'populismo' não colou. 
- desviar a atenção do real problema: a corrupção que é o próprio sistema político brasileiro. 
Mas quem conhece um pouco da conjuntura política brasileira sabe que não só não é o maior esquema (sim o do Mensalão é, que também foi usado pelo PSDB e, com certeza, por outros partidos), mas também sabe que o poder de fato não está nem com o PT nem com o PSDB, independente da esfera (federal, estaduais ou municipais). Este segundo partido (PSDB) apenas incomoda menos e serve mais aos interesses dos verdadeiros donos do poder. 

Quem mantêm o voto no PT, acima de tudo, também sente e sabe o que disse o Joaquim Barbosa "As mudanças e avanços no Brasil nos últimos dez anos são inegáveis." Meu voto é coerente com a minha posição política (de esquerda, sempre!), e com a situação política que vejo na esfera em que voto. Neste caso, o confronto entre dois grandes partidos igualmente inseridos num sistema corrupto - portanto nenhum dos dois livres disso - igualmente com problemas internos e que cometem equívocos (e onde isso não existe?), e que são os que tem os posicionamentos políticos mais claros em termos de direção sócio-econômica das suas ações. Portanto, voto num partido (não numa pessoa) e no seu conteúdo programático, como DEVE ser. 

Isso é como deve ser para que os governantes que colocamos nos seus cargos possam governar sem ficarem reféns desse tipo de situação: não ter maioria ou boa cobertura no congresso. Isso é a maturidade política que falta ao brasileiro, mas também ao norte-americano! Sim, lá nos EUA que é tão decantado como exemplo de democracia, o sistema político garante por voto indireto esse resultado. Lá se votam nos colegiados (nos equivalentes a vereadores, deputados e senadores) e daí deriva-se quem vai governar (o presidente, governador ou prefeito)!!! Isso é simplesmente o princípio que rege um governo republicano ou parlamentar e que garante a democracia e diminui consideravelmente a possibilidade de vendas de votos, ou seja, a corrupção! 

Embora eu até considere o voto nulo uma opção, não o considero na atual conjuntura de São Paulo. Não voto no PT com orgulho nem com vergonha. Voto com clareza de que é o partido que mais se aproxima das ações que espero de um governo, pelo programa e pelo histórico. E com maior clareza ainda de que em política não existe neutralidade, nem meio termo. Nem heróis, nem fadinhas, nem salvadores da pátria. Muito menos bandidos e mocinhos. 

Ana Cristina Martins

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