domingo, 30 de agosto de 2009

MEU EDIFÍCIO



Não reverencio, não idolatro
Nada, nem ninguém

Não tenho ídolos, nem ícones
Nem reis, nem deuses ou mestres

Não pertenço a nenhuma tribo
Nem seita ou religião

Não gosto de grupos fechados
Como não gosto de lugares pré-determinados

Não sou isso, nem aquilo
Meus “ismos” são colaterais

Me perco em rotas pré definidas
E em estrelas alheias
Chuto placas que deixaram para trás

Não ando por caminhos já demarcados
Nem entro em terrenos já cercados

Não sigo nem dito moda
Não tenho compaixão pra tentar
Escapar do inferno

Não dou esmola
Pra tentar aliviar
a minha consciência

Não dou “bom dia” pra ser gentil
Não digo “eu te amo” pra parecer amável

Minha boca profere somente
o que em minha alma desperta

Não dou crédito às verdades alheias
antes, destruo as minhas

Não construo alicerces fora de mim
Meu edifício está todo
Calçado na minha espinha dorsal

E minha espinha
Ainda que torta
Tem história

Tem dores e cicatrizes
Umas curadas
Outras à espera do tempo

Tem memória
Tem pensares, amares
Tem pesares e cantares

Calcados na minha espinha dorsal


Ana Cristina Martins

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