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domingo, 29 de agosto de 2010
COMPORTADA
Eu sou uma menina comportada
Sim, eu sou!
Mas só abro as comportas
Quando a noite cai
E as línguas se calam
E nem coruja pia
Não gosto de cair
Na boca de ninguém
Que não sou prato do dia
Nem me faço refém
Só na tua, neném
E pra cair na tua boca
Saio de fina e finjo
Que marco touca
Me faço até de louca
Tiro a roupa, toda
Grito, até fico rouca
Quero que se foda
Na tua, eu caio de boca!
AnaCris Martins
domingo, 15 de agosto de 2010
DOS SENTIDOS
DESVANEÇO
Desfaço de suas conquistas
E quando te vejo
Me derreto
ARREMEDO
Rasgou-me as roupas
Teso remendo teço
Arremedo, sim
E soneto
VENTANEAR
Quando contrario o mundo
Não grito
Nem freio
Ventaneio
ANOITECENDO
Se me esqueço só
Anoiteço enfim
E me dou um nó
De lua de cetim
AMANHECENDO
Eu amanheço minhas dores
Não sei nem doer
Sem cores
DESCORTINADA
Minha janela (da alma)
Não tem cortina
Da paisagem escapa
A palavra
Tagarela!
ESTILHAÇOS
Que cruel destino
Seu amor
Me estilhaçou
Nem posso juntar os cacos
ENDEREÇO
De: teu
Para: tua
Endereço: um olhar, do outro lado da rua
DA GRATUIDADE
No meio fio
A palavra cruza
Na faixa
ESPALHAMENTO
Deito olhares
Espalho ilustres
Brilhantes no assoalho
DESFOLHANDO
Escolha equivocada
Me desfolho e engulo
Todo o orgulho
Depois que as folhas caem
A nudez é nada
RECONHECIMENTO
Retrato em parede
De quarto escuro
Espelho? Esconjuro!
ACONTECÊNCIA
Da janela do quarto
Quaresmeiras em flor
Jazigos enfeitam
Tamanha acontecência
Essa de tirar proveito
De coisa morta
PENSAMEN(TEAR)
Pensar é tecer
Num velho tear
Sentidos
Empareados, entrelaçados
Ponto-cruz
Fatos
Acentuados, atônitos
Anos-luz
Palavras
Abstratas, tônicas
Contraluz
Estes poemetos são 'parições' do "Eu? Eu não...' (postagem anterior).
Sobre este poema, Rosany Costa, poeta de primeira, fez uma linda declamação: ouçam e aproveitem para visitar o site dela, que é todo para nosso deleite e degustação!
obrigada pelo presente, Rosany!
http://www.rosanycosta.com.br/amigos/301-eu-eu-nao.html
A poesia não se encerra em si mesma. Porque tantas e tão diversas são as pessoas, ela sempre se desdobra...
E tantas poesias serão, tantas formas, tantas leituras, tantos sentidos...
quinta-feira, 8 de julho de 2010
EU? EU NÃO...
Eu não desmaio
Desvaneço
Eu não me calo
Pensamenteio
Eu não desfaço
Arremedo
Eu não discuto
Ventaneio
Eu não me fecho
Anoiteço
Eu não me abro
Amanheço
Eu não escapo
Descortino
Eu não me quebro
Estilhaço
Eu não me entrego
Endereço
Eu não espero
Aconteço
Eu não despedaço
Espalho
Eu não me desmancho
Desfolho
Eu não te vejo
Me reconheço
AnaCris Martins
segunda-feira, 5 de julho de 2010
UNS 'VERSO'
Uns sentido
Uns sentado
Uns eu cato
Uns eu traço
Uns em laço
Uns em talo
Uns afago
Uns estrago
Uns nada a ver
Uns sem querer
Uns quer
Uns não
Uns volta
Uns vão
Uns trem
Uns vagão
Uns vaga
Uns nem tão
Uns nada
Uns tem não
Uns pra quê?
Uns sei não
Uns tem nada
Uns tá bom
Uns num lembra
Uns qué isquecê
Uns de nada
Uns tudibão
Uns sem rumo
Uns sem noção
Uns tá duro
Uns lesado
Uns parido
Uns cagado
Uns cuspido
Uns escarrado
Uns comido
Uns tragado
Uns ao léu
Uns tapado
Uns fudido
Uns viado
Um pra cima
Uns pro lado
Uns cabrão
Uns cagaço
Uns eu digo
Uns eu faço
Uns num sabe
Uns passa a vez
Uns pra ontem
Uns causdiquê?
Uns pra mim
Uns pra você
Uns brigado
Uns tendiquê
AnaCris Martins
terça-feira, 29 de junho de 2010
DO BEIJO
I
O beijo emudece
Mas diz tudo
E se esquece
II
O beijo cala
E a alma escala
O céu da boca
III
O beijo silencia
Desdiz a palavra
Despontua a frase
Desrima o verso
Desacentua a crase
Abala toda
a estrutura
da poesia
IV
O beijo é
A alma travada
Na ponta da língua
V
O beijo emudece
E à boca resta
Tatear a alma
VI
O beijo cala
Um acalanto
No canto da boca
VII
O beijo silencia
Nos lábios
Uma poesia
VIII
O beijo emudece
Traz alma à boca
E tudo umedece
IX
O beijo é
carícia melodiosa
de dedos tamborilando
pelos lábios
em pequenos
e compassados
segredos
X
O beijo
É a ante-sala
de portas escancaradas
para o desejo
XI
Ah! Se eu te beijo
Não sobra nada
Só desejo
AnaCris Martins
(Inspirados num 'sonho')
O beijo emudece
Mas diz tudo
E se esquece
II
O beijo cala
E a alma escala
O céu da boca
III
O beijo silencia
Desdiz a palavra
Despontua a frase
Desrima o verso
Desacentua a crase
Abala toda
a estrutura
da poesia
IV
O beijo é
A alma travada
Na ponta da língua
V
O beijo emudece
E à boca resta
Tatear a alma
VI
O beijo cala
Um acalanto
No canto da boca
VII
O beijo silencia
Nos lábios
Uma poesia
VIII
O beijo emudece
Traz alma à boca
E tudo umedece
IX
O beijo é
carícia melodiosa
de dedos tamborilando
pelos lábios
em pequenos
e compassados
segredos
X
O beijo
É a ante-sala
de portas escancaradas
para o desejo
XI
Ah! Se eu te beijo
Não sobra nada
Só desejo
AnaCris Martins
(Inspirados num 'sonho')
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Olhar em você
Olhar risonho em você
no homem em você
que é humano
louco, insano
certo, errado
alegre, tristonho
reto, indecente
não se encaixa
no meu sonho
somente
homem que é gente
não gente-plástico
ora sutil e manso
frieza e calma
ora exagerado
viril e drástico
perde o trem
e sai do trilho
às vezes
mas nunca apaga
no olhar o brilho
que vem da alma
AnaCris Martins
no homem em você
que é humano
louco, insano
certo, errado
alegre, tristonho
reto, indecente
não se encaixa
no meu sonho
somente
homem que é gente
não gente-plástico
ora sutil e manso
frieza e calma
ora exagerado
viril e drástico
perde o trem
e sai do trilho
às vezes
mas nunca apaga
no olhar o brilho
que vem da alma
AnaCris Martins
quinta-feira, 10 de junho de 2010
PRA TE OLHAR NO OLHO
Pra te olhar no olho
faço e desfaço laços
e dou mil volteios
Nem rima escolho
Me viro do avesso
teus versos enlaço
quem sabe (me) vês
além dos nós e atavios
sem tinta e adereço
e tropeças no desvario
dos meus anseios
de uma vez
AnaCris Martins
terça-feira, 8 de junho de 2010
ME VOILÀ
Aproveito o vento
E vou, voilà
Voando, tafetá
Cá em cima
Vejo no mar
Velha canoa
À deriva rima
Uma rosa à proa
É meu norte
Bem à mira
Deixo-me à mercê
Da sua sorte
Num vôo rasante
Quase lhe cravo
Os dentes à folha
Mas, traíra
Se esquiva
Lasciva amante
E me criva
Sem escolha
De um quem sabe
Talvez, quiçá
De novo furtiva
Olhar pra você
Vá rosa, vá
Se solte
Na direção do vento
Caso ele volte
AnaCris Martins
domingo, 6 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
ELE
Ele é meu capricho
É o meu bicho de pé
Ele me tira o sono, me faz cafuné
Ele me vem pedindo indecente
Pra eu lhe dar com vontade
E vem com força, com saudade
Ele é meu galã de Hollywood
Meu filme do Tarantino, e também iraniano
É meu herói do cinema, meu guerreiro romano
Ele é meu mosaico, meu quebra-cabeça
Meu chocolate com banana
É o meu melhor trabalho da semana
Ele é qualquer poesia de Vinícius
É a minha seleção brasileira
Um gostoso banho quente de banheira
Ele é meu símbolo sexual, meu ator pornô
Ele é minha dúvida cruel
É meu tiro no pé, meu escudeiro fiel
Ele é meu tudo e meu nada
É tudo de bom, meu bem e meu mal
Minha marca de nascença, meu sinal
Ele é o começo do fim, o início da vida
Ele é meu piercing, minha tatuagem
É a minha maior viagem
Ele é meu destino e meu karma
É o meu gigolô pós-moderno
Vou com ele feliz até o inferno
Ele é o meu prato predileto
É o meu perfume preferido
Minha intuição, o meu sexto sentido
Ele me vira do avesso, me tira do sério
Depois, insolente, se aninha no meu peito
E entra nos meus sonhos, do seu jeito
AnaCris Martins
É o meu bicho de pé
Ele me tira o sono, me faz cafuné
Ele me vem pedindo indecente
Pra eu lhe dar com vontade
E vem com força, com saudade
Ele é meu galã de Hollywood
Meu filme do Tarantino, e também iraniano
É meu herói do cinema, meu guerreiro romano
Ele é meu mosaico, meu quebra-cabeça
Meu chocolate com banana
É o meu melhor trabalho da semana
Ele é qualquer poesia de Vinícius
É a minha seleção brasileira
Um gostoso banho quente de banheira
Ele é meu símbolo sexual, meu ator pornô
Ele é minha dúvida cruel
É meu tiro no pé, meu escudeiro fiel
Ele é meu tudo e meu nada
É tudo de bom, meu bem e meu mal
Minha marca de nascença, meu sinal
Ele é o começo do fim, o início da vida
Ele é meu piercing, minha tatuagem
É a minha maior viagem
Ele é meu destino e meu karma
É o meu gigolô pós-moderno
Vou com ele feliz até o inferno
Ele é o meu prato predileto
É o meu perfume preferido
Minha intuição, o meu sexto sentido
Ele me vira do avesso, me tira do sério
Depois, insolente, se aninha no meu peito
E entra nos meus sonhos, do seu jeito
AnaCris Martins
terça-feira, 25 de maio de 2010
ME EXPLICO?
Você acha que se comunica
Eu acho que respondo,
por telepatia
...A gente bem que se estrumbica
Quem sabe, qualquer dia
Dou de achar que me comunico
também
E a gente (se) encontra
Assim, sem essa puta
ladainha
Eu até (tento) te explico
da minha estranha nostalgia
do velho guerreiro Chacrinha
Ana Cristina Martins
Eu acho que respondo,
por telepatia
...A gente bem que se estrumbica
Quem sabe, qualquer dia
Dou de achar que me comunico
também
E a gente (se) encontra
Assim, sem essa puta
ladainha
Eu até (tento) te explico
da minha estranha nostalgia
do velho guerreiro Chacrinha
Ana Cristina Martins
segunda-feira, 24 de maio de 2010
TÁ OSSO!
Olha, seu moço
Tira essa coisa daí
Que troço mais horroroso!
Isso tá um caroço
Tá é muito osso
E nem é duro de roer
É bem ruim de engolir!
PÉROLA
Não acredito em coincidência, mas em conspiração do Universo até boto uma fé...rs
Enquanto lia um texto de um amigo, no orkut, dedicado a mim, surgiu a inspiração para este. Tudo porque comentei umas pinturas desse amigo (ele é pintor, muito bom, por sinal). Vários dos seus quadros tinham como tema o mar (com pássaro, com canoa, ondas gigantes, coisas assim.).. e eu adoro! E ele usa azul que me fascinou.
O texto que ele me escreveu em resposta aos meus comentários às fotos - onde eu falava sobre meu fascínio pelo mar e pelo azul que ele usava - falava também de mar, de canoa, de gente que vive do mar e das águas, de olhos e de pérolas!
... e aí lembrei de uma conversa que tive com outro amigo na Virada cultural, também sobre pérolas! Que uma ostra que não foi ferida, não produz pérolas. Porque a pérola é uma ferida cicatrizada, uma reação à um grão de areia ou outra coisa que entra na ostra e a machuca.
E com elas e o mar, meu pensamento flutuou numa canoa à deriva e as ondas do mar me sussurraram este poeminha.
PS: A imagem usada na montagem foi tirada do Google e não tinha menção à autoria.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
NEM TE CONTO!
O que fazer dessa paixão?
Perdida no caminho
Virou pássaro sem ninho
Água represada, sem vazante
Dá enchente feito praga
Sem noção, nem a mais vaga
Como reparar o dano
Desse abandono à míngua?
Como desfazer o engano?
Dar vazão à palavra
Presa na ponta da língua?
Essa paixão incubada
Malabarista da noite
Espreita o telefone
Ô coisinha insone!
Já tá dando na vista
Imagina danças na pista
E até de artista se pinta
Fica nua, quando alta a lua
Se esquece, pensa ser tua
Te procura, te encontra
Te toca, te provoca
Em pensamento tonto
Ah! Amor
É em teu nome
Que a insônia evoca
E me consome
De tanto prazer
Essa homenagem
Nem te conto!
É pra você...
É pra você!
Ana Cristina Martins
terça-feira, 11 de maio de 2010
FOGO SUICIDA ou PLEONASMO
Sabe?
Sinto saudade...
Desse teu peito quente
Fogacho acolhedor
Gerador de energia
Corpo incandescente
Que no meu, bem rente
Aconchegada, sentia
Desprender tanto calor
E feito lança-chamas
Demente incendiário
Me inflamava a pele
E fogueira instigante
Louco revolucionário
Me tocava febre
Depois, ofegante
Fingindo-se brisa mansa
Me acendia aos sopros
A brasa adormecida
Por fim, abrasadora calma
Fazendo-se fogo amante,
Penetrava-me com ardor
A alma entorpecida
É...
Estou convencida
Esse fogo do teu peito
Me suicida!
Ana C. Martins
NEM VEM!
Por que chegou tão perto
Se não era pra acertar?
Se já sabia dos erros meus
Nem vem (de novo) me errar
Eu mesma me desacerto
Eu mesma me desconcerto
Nem vem!
Ana C. Martins
quarta-feira, 5 de maio de 2010
IMAGINAÇÃO
Anseio
do teu peito
esse calor
Imenso, denso
Peito muro
Seguro
Puro
Concreto armado
Me encaixo
Nesse meio
Tateio
Entre as mãos
Sangue retesado
Teso, duro
Feito leite
Quente
Semente
Cabe em mim
Te aceito
Meu esteio
Ana C. Martins
quarta-feira, 14 de abril de 2010
LITERAMANDO
LITERAMANDO...
Ele diz, num lampejo viniciano
Eu te amo, amor, profundamente
De um amor cego e pungente
Mas, você não tem nada com isso
Completa apático e sem nenhum calor.
Goethe ou Rilke? Quem é mesmo o autor?
Hilda se intromete “facinha”:
Eu? “Amo-te mínima,
Como quem quer mais
E como quem tudo advinha.”
Mas Clarice (a Lispector)
Me dá voz, sempre justa:
Eu preciso pegar, sentir, tocar, ser...
Isso te assusta?
Enquanto Pessoa acende um cigarro
E repete, a esmo
É... todas as cartas de amor
São ridículas, mesmo
Ai, mas Florbela se desespera, impaciente!
“...amar-te assim, perdidamente
E dizê-lo cantando a toda gente.”
Alguém, alguém tem que tirar
Essa porra dessa pedra...
Pondera Drummond, sozinho
E então, eu vou...
chuto a pedra
E você...
me erra o caminho!
Ana C. Martins
domingo, 11 de abril de 2010
FREUDIANO ou... VÁ À MERDA, FREUD!
Pedaços meus
se esvaem
dessa minha alma
revirada
posta do avesso
e roubam toda
a minha calma
Desfaço-me
em cacos de Ego
esmagado
Que o meu Eu (inteiro)
Consegue quebrar
Determinado
Mas ainda não sabe
Como compensar
E perplexo
Grita
Vendo-se mutilado
No seu reflexo
Ainda não se reconhece
Como pode?
... e vou catando eu
meus caquinhos pelo chão?
Porra Freud!
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