domingo, 19 de agosto de 2012

Motivo - Fagner, sobre poema de Cecília Meireles



Motivo (Cecília Meireles)
Eu canto, porque o instante existe
E a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste, sou poeta
Não sou alegre nem sou triste, sou poeta
Irmão das coisas fugidias
Não sinto gozo nem tormento
Atravesso noites e dias no vento
Se desmorono ou se edifico
Se permaneço ou me desfaço
Não sei se fico ou passo
Eu sei que eu canto e a canção é tudo
Tem sangue eterno a asa ritmada
E um dia eu sei que estarei mudo, mais nada

Canto e faço poesia, porque a arte me redime e me salva de morrer de palavra encruada. 


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