sábado, 2 de outubro de 2010

RESPEITEM A MINHA INTELIGENCIA, PAPAGAIOS!


‘Posso não concordar com nenhuma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte, o direito de você dizê-las’. Voltaire.

Vivo recebendo aqueles chatos e-mails e recadinhos de papagaios cibernéticos de todos os tipos (a maioria, papagaios da ‘óia’, da ‘falha de são paulo’ e da ‘grobo’). Pessoas que se julgam bem informadas porque lêem a revista de maior circulação no país, coisa a que muitos brasileiros, de fato, não têm acesso, o que não quer dizer muito, convenhamos, mas muitos se acham grande coisa por isso. Ou jornais que já foram tidos como idôneos e fonte de informação segura. Mas já se vão bem distantes esses tempos.

Acredito que as pessoas devem sim se engajar e até propagandear as idéias com as quais elas concordam e estão em linha com suas posições, mas desde que usem ‘argumentos’ para influenciar as pessoas, respeitando e, jamais subestimando sua inteligência! E não tentem ‘cooptar’ pessoas com o velho, nojento burro e extremamente pedante expediente de desqualificar seu interlocutor e suas idéias para convencê-lo de que o que ele pensa (sem saber, aliás, o que ele pensa!) é inferior ou fruto de falta de informação ou instrução, como se isso realmente fizesse alguém mais inteligente ou sábio.

Posição política, assim como religião e opção sexual é fruto de formação pessoal, história de vida e, mais que com a (des)educação recebida nas instituições escolares, com a educação recebida de pais, familiares e até a influencia de amigos.

O Brasil é apenas mais um país imaturo politicamente e não odeio política por isso. Antes procuro conhecê-la para poder opinar sobre ela e decidir meu voto conscientemente, o que creio que todos deveriam fazer. Por vezes, voto em algum candidato ou partido que considero em linha com minha posição, por vezes voto nulo sempre que considero que não há um partido que vá ao encontro de minha posição. E sim, voto no partido ou na coligação, pois até meu pais com seu 3º ano incompleto, sabe que um governante não governa sozinho e não consegue fazer nada se não tiver maioria no congresso.

Aí vêm aqueles baluartes da decência dizer que odeiam política, mas mesmo assim, fazem campanha pró ou contra algum partido ou candidato (porque a ‘Óia’ só fala bem dele). Tremendo contra-senso, não? Pois, no final, pensando assim, não são todos ‘porcos’ -como alguns textos chamam um(a) certo(a) candidato(a)? Me parece que são pessoas, como sempre, apenas se deixando manipular por ‘outros porcos’, mas que se julgam tão inteligentes quanto os tais porcos manipuladores... ai meus sais!

Aliás, manipuladores fazem escola mesmo. Vendem livros de auto-ajuda feito água. Alguns títulos e assuntos me dão náusea: ‘aprenda como conseguir tudo o que você quer’, ‘tenha sucesso no que você quiser’, ‘fique milionário’, ‘ganhe dinheiro sem ralar’, etc, etc, etc. E depois acham ruim que tem gente gostando de viver da bolsa-esmola de R$ 200,00 que o governo distribui pra gente que nem tinha o que comer? Humpf. É sempre assim, o argumento que serve para o outro nunca serve pra si. São os mesmos que pensam que ‘democracia é quando os outros fazem o que eu quero e ditadura é quando os outros me obrigam a fazer o que eles querem’.

Essa é que é uma prática política infantil e porca. Há uma série de coisas que se pode falar contra o governo atual, mas a própria oposição que temos hoje no Brasil não consegue fazer isso de forma politicamente madura e buscando influenciar as pessoas, que é bem diferente de tentar manipular! O que eu acho uma pena, porque isso sim impede o exercício real da democracia e da liberdade de expressão.

São e-mails que te incitam - pra não dizer, ‘ordenam’, santa (anta) petulância! - a ‘rever os seus conceitos’, como se os conceitos e idéias ‘deles’ correspondessem santificadamente à ‘Verdade’. Ou ‘aos fatos’, como alguns também querem, cometendo o erro semântico do Cazuza, que na música obviamente tem ‘licença poética’. Fatos e idéias são e sempre serão coisas distintas. Idéias no máximo podem se basear em fatos, e mesmo assim, estes sempre são interpretados de formas diferentes pelas pessoas.

Sou formada em Ciências políticas e sociais e trabalho também com pesquisa sócio-econômica e de mercado. Além da minha experiência profissional e minha formação acadêmica, tenho influências familiares, com algumas das quais cheguei a me debater veementemente, como todo adolescente, mas hoje vejo o quanto são importantes nas minhas posições, mesmo na minha posição contrária a essas influências.

Não considero ninguém inferior ou superior por conta de sua posição, seja ela qual for. Assim como não acho que ‘tenho’ que rever os meus conceitos e idéias não acho que ninguém deva rever os seus porque pensam diferente de mim. Creio que o mundo seria bem melhor se todos pensassem assim. Mas não sou dona da verdade, como você aí que está me lendo também não é. Respeito a liberdade de pensamento, acima de todas as liberdades. Eu tenho a minha posição política, minha opção religiosa e sexual. Que são minhas e exijo que sejam respeitadas, sim!

PS1: pretendo votar nulo nesta eleição. Sou anarquista ideologicamente falando, mas procuro adaptar minha posição ao que observo conjunturalmente. Sou agnóstico-ateísta, e heterossexual. Libertária com responsabilidade e alguma consciência social e humanística. Usei os ‘ismos’ apenas para resumir o texto, mas claro, não me resumo à isso.

3 comentários:

Paula Martins disse...

Uii, amei, falou e disse, e eu assino enbaixo!!

A.S. disse...

Nika,

Como Voltaire continua a ter razão!!!


Um abraço anarquista!
AL

Christiano Dortas disse...

Gostei! Um abraço agnóstico! Christiano Dortas